5 de fevereiro de 2011

Deficiência? Necessidade?


A caixa de Pandora http://elfpandora.blogspot.com/2011/01/aos-amigos-um-convite.html E Alesca do "Diário de Bordo" fizeram um convite especial para uma blogagem coletiva, vamos lá! participe!

Inclusão social, necessidade especial, falar, escrever o quê? Senti que precisava participar desta blogagem pelos meus amigos (as) e pelo meu pai, agora em fevereiro fez um ano que se transformou em luz, nos seus últimos anos de vida ficou cego (diabete, glaucoma), a rotina de casa mudou, em função da sua necessidade de começar a olhar com as mãos, ouvido e o nariz. Sempre nas férias, feriados estava junto dele (mesmo implicando grandes viagens). Ele desenvolveu percepções incríveis no dia a dia, identificava as pessoas pelos passos, o tato criou memória, e o que eu achava impossível, para ele virava possibilidades e superações... Foi um tempo de aprendizagem para nós dois.

Sempre me confundia com os termos a ser utilizado no tratamento, se era deficiente ou especial, encontrei este artigo do Romeu Kazumi muito esclarecedor. O artigo é meio longo, mas vale a pena ser lido...


Artigo de Romeu Kazumi explica o uso correto de termos como "pessoa com deficiência", "necessidades especiais" e "deficientes".

Romeu Kazumi Sassaki

Pergunta: Está certa a expressão: "Projeto de natação para deficientes"?

Resposta: Não. Em vez de "deficientes", os termos corretos são: "pessoas com deficiência", "crianças com deficiência" (e assim por diante, somente substituindo "pessoas" ou "crianças" por "adultos", "professores", "atletas", "funcionários", "trabalhadores" etc.).

Pergunta: É verdade que hoje devemos dizer "pessoas com necessidades especiais" em vez de "pessoas com deficiência"?

Resposta: Não. Os dois termos são corretos e devem ser utilizados, porém cada um no seu devido lugar. Não se trata de substituir um termo pelo outro. Quanto ao termo "necessidades especiais", precisamos ter bem claro o seguinte:

1 - As necessidades especiais não são exclusivas de pessoas que têm deficiência. Mas, a deficiência pode ser uma das causas determinantes de necessidades especiais. Por exemplo:

(a) Se uma pessoa tem pernas mecânicas e utiliza bengalas, as calçadas esburacadas e os pisos derrapantes podem causar necessidade especial para esta pessoa circular por essas ruas sem correr risco de levar um tombo.

(b) Se uma pessoa anda em cadeira de rodas, os meio-fios sem rampa e as escadarias podem causar necessidade especial para esta pessoa locomover-se nessas ruas.

(c) Se uma pessoa é cega, a falta de livros em braile pode causar necessidade especial para esta pessoa tomar conhecimento de textos em geral.

(d) Se uma pessoa é surda, a ausência de alguém que domine o uso da língua de sinais pode causar necessidade especial para ela tomar conhecimento do que as outras pessoas estão falando.

(e) Se uma pessoa tem deficiência intelectual, as pessoas ao seu redor que usarem palavras difíceis ou conceitos abstratos podem causar necessidade especial para esta pessoa entender o que as outras estejam falando para ela.

(f) Se uma pessoa tem baixa visão, a falta de textos em letras ampliadas pode causar necessidade especial para esta pessoa poder lê-los.

2 - Muitas pessoas SEM deficiência também podem deparar-se com necessidades especiais. A propósito, cerca de 80% das pessoas com necessidades especiais não têm deficiência. Exemplos de pessoas sem deficiência que têm necessidades especiais: meninos tirados do trabalho infantil, meninas tiradas da prostituição infantil, indígenas frequentando escolas comuns, egressos de instituições reeducacionais, egressos de hospitais psiquiátricos, egressos de penitenciárias, pessoas homossexuais, pessoas com AIDS, pessoas com câncer e assim por diante.

3 - As necessidades especiais podem ser específicas. No ambiente escolar, chamam-se "necessidades educacionais especiais" (para ler, escrever, desenhar, pintar, entender textos etc.). No trabalho, chamam-se "necessidades profissionais especiais" (para manusear/manipular certos equipamentos e instrumentos/ferramentas etc.). No lazer, chamam-se "necessidades recreacionais especiais" (para brincar, curtir o lazer, fazer turismo etc.) e assim por diante.

4 - Uma pessoa pode apresentar necessidades especiais numa determinada situação e não ter necessidades especiais em outras situações. Por exemplo: uma pessoa com surdez pode ter necessidade especial em situações nas quais as outras pessoas não sabem se comunicar com surdos e não ter necessidade especial nenhuma quando ela está no meio de pessoas que usam Libras. Uma pessoa em cadeira de rodas pode ter necessidade especial para subir/descer escadas e não ter necessidade especial nenhuma para usar elevadores.

5 - Não existe um segmento populacional composto por pessoas com necessidades especiais. O que existe é o segmento das pessoas com deficiência. Não podemos utilizar o termo “pessoas com necessidades especiais” como se estas pessoas formassem um segmento. Podemos, sim, utilizá-lo para especificar um aspecto (necessidade especial) na vida de muita gente, como exemplifiquei no item 2. Então, é perfeitamente aceitável que alguém faça uma pesquisa sobre “necessidades especiais de alunos indígenas”, “necessidades especiais de egressos de penitenciárias”, “necessidades especiais de alunos com síndrome de Down”, “necessidades especiais de atletas cegos em competições de natação” e assim por diante.

Fonte:
http://www.planetaeducacao.com.br/ (04/08/2010)
Referência:
Rede Saci



12 comentários:

  1. é bacana esse post, pois eu não sei quais termos se usa ou não.
    tem gente que acha que é excesso de politicamente correto, mas no texto tá tudo bem explicado o porque de usar o termo certo, né Bia.
    é para diminuir diferenças e preconceitos, coisas que precisamos muito na sociedade.
    bjs e bom fim de semana

    ResponderExcluir
  2. Legal, Bia! Nem eu sabia que o mais correto é dizer "com deficiência" e não "deficiente". Apenas "deficiente" dá impressão de um todo, né? Enquanto "com deficiência" não. Muito bom.
    Beijo na alma, querida!

    ResponderExcluir
  3. Bom dia Bia. Ja sabia desse convite da caixa de Pandora. Pensei em participar, tenho irmaos com deficiencia visual, mas nao sou das melhores para escrever. Vou passar esse desafio pra minha irma escritora. Ela tem 3 blogs, o mais antigo e o http://marilim.net/blog.php
    Vou la agora mesmo passar pra ela o endereco do seu blog.
    Abracos, e tenha um otimo final de semana.

    ResponderExcluir
  4. Oi! Amiga
    Linda postagem!

    Essa semana assisti o filme do Ray Charles - é lindo o filme. E você vê que nada é possivel para quem busca pelo seu sonho, não importa a deficiência - quando se luta diante dos preconceitos, a vitória é certa.
    E as pessoas especiais se tornam muito mais perfeitas, do que certas pessoas, que tem pernas para andar, braços, olhos pra vê, e ouvidos para ouvir, e não usa esses dons para bem.

    Deus abençoe, a todos! E dê força na caminhada.
    Amiga! Um final de semana MARAVILHOSO pra você!

    Abraços,

    Lu

    ResponderExcluir
  5. Querida Bia...
    Muito interessante sua abordagem, partindo dessa história tocante com seu pai, para uma perspectiva didáctica.
    De facto, a terminologia pode de algum modo aprofundar preconceitos...
    Parabéns pela postagem linda!
    CARINHO GRANDE

    ResponderExcluir
  6. Adorei, super informativo, também tinha duvidas em relação a esses termos, tive até medo deles quando inventei de propor essa postagem, de errar, sei lá, não é um tema de fácil abordagem e eu senti muita gente receosa de participar por conta disso!

    Amei, estou aprendendo muito a cada texto que leio, com exemplos, com as histórias!

    Obrigada Bia, por participar, divulgar e tudo o mais, obrigada mesmo!

    Cheros!

    ResponderExcluir
  7. Adorei o post, Bia. Passei para te desejar um ótimo final de semana! bjos

    ResponderExcluir
  8. Olá Bia

    Que bela iniciativa esta blogagem coletiva, parabéns.
    Post de Domingo "AS VIAGENS DA KINHA"... até amanhã...

    Bjoooooooooooooooo...............

    http://amigadamoda.blogspot.com

    ResponderExcluir
  9. Olá, Bia querida
    Vc fez muito bem em atualizar o tratamento ao Tema em questão...
    Meu papai também aprendeu/ensinou muito na sua hora derradeira... foi extra sensorial em tudo... incrível!!!
    Cada post da Blogagem é uma instrução/partlha maravilhosa!!!
    Aprendendo e tornando o diferente mais normal(comum)...
    Bjs de inclusão.

    ResponderExcluir
  10. Muito boa essa explicação Bia.
    Nunca havia pensado nisso. Todos nós temos necessidades especiais. Gostei muito de saber corretamente.

    Parabéns pelo post.

    Bom final de semana.

    Bjs no coração!

    Nilce

    ResponderExcluir
  11. Muito legal a iniciativa! vou seguir vc.
    Beijos querida, e um ótimo fds!
    Cyn.

    http://gavetafeminina.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  12. Adorei conhecer o seu blog.
    Grata por participar do Just me! Venha sempre!
    beijos!

    ResponderExcluir

Amo a participação de vocês! Através dos comentários, troca de experiências, informações, alertas, "puxadas de orelhas". Tudo é uma eterna aprendizagem... Grata.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Template customizado por Meri Pellens.Tecnologia do Blogger.
Voltar ao topo